Entrevista a Rui Jorge Santos - Jogador sénior e responsável da secção de pólo aquático da ADO

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

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  • Foi realizada a sexta entrevista a personalidade ligadas ao pólo aquático da ADOeiras. Neste sexto testemunho, foi recolhida informação respeitante a Rui Jorge Santos.

    1- Este ano a estrutura de pólo aquático de anos anteriores entrou numa nova instituição:a ADOeiras. Qual a importância desta mudança?

    A mudança para a ADOeiras tem uma enorme dimensão e reflectiu-se no decorrer da época desportiva de pólo aquático 2013/2014. Estamos a falar do maior clube do Concelho de Oeiras. Além disso deparámo-nos com uma organização interna de nível elevado, preocupação com a modalidade por parte dos dirigentes, muito particularmente pelo Presidente Artur Campos, assim como um forte apoio para um 1º ano de integração no clube. A credibilidade da estrutura do pólo aquático (dirigentes, jogadores e equipa técnica) permitiu a inclusão de um elemento na Direção da ADOeiras o que por si só justifica a aposta no pólo aquático e o espelho do trabalho sério e dedicado dos últimos 6 anos. Temos muito orgulho em afirmar que temos as nossas obrigações legais, federativas e financeiras em dia e obviamente que isso tem o seu impacto e teve o seu reflexo.

    2- Que diferenças sentiste este ano face ao apoio que era recebido nos anteriores clubes por onde passámos?

    Na resposta anterior julgo que explanei as razões, mas “a chave” está na preocupação por parte do Presidente Artur Campos, preocupação essa que ainda não tinhamos encontrado noutros clubes e igualmente a comunicação que anteriormente estava cingida à secção e agora faz-se por via institucional, o que garante um suporte e segurança que até à entrada para a ADOeiras não tinhamos tido.

    3- Quais os próximos passos que consideras serem importantes para fortalecer esta relação entre clube e a secção de pólo aquático?

    A meu ver, é o intuito da secção de pólo aquático, continuar a demonstrar o trabalho que realiza diariamente em prol do pólo aquático, dignificando o clube, mas não escondemos que apesar de estarmos no 1º ano como ADOeiras, os próximos passos estão relacionados com o crescimento em nº de atletas, a chegada aos momentos decisivos das épocas e que possibilitem a discussão de títulos e a organização de eventos que promovam a modalidade e marquem a ADOeiras e o próprio Concelho no mapa nacional da modalidade. Queremos com trabalho, muito trabalho, conseguir elevar o estatuto desta magnífica modalidade para um nível semelhante ao que o Futebol, Hóquei em Patins e Patinagem detêm no clube.

    4- Com que idade começaste a jogar pólo aquático?

    Comecei a jogar bastante tarde comparativamente às idades que atualmente os nossos atletas mais jovens começam, ou seja, iniciei a prática da modalidade com 12 anos. Estava na natação no Clube de Natação de Oeiras quando um dos antigos jogadores desta estrutura e actual guarda-redes do AEISTécnico Hugo Mendes, falou-me no pólo aquático e na possibilidade de experimentar a modalidade.

    5- Ainda sentes a mesma adrenalina quando entras num jogo?

    Sim, sinto uma grande adrenalina e para mim todos os jogos são vividos de uma forma muito intensa. O facto de ter estado desde o início nesta estrutura de pólo aquático e ter responsabilidades partilhadas no desenvolvimento da mesma, faz com que sinta cada vitória e cada derrota de uma forma apaixonante.

    6- Após 5 anos e meio como treinador, voltaste a ser jogador a tempo inteiro. Como sentiste esta mudança?

    Esta mudança não foi fácil mas foi muito pensada da minha parte. Só passando pela experiência de ser jogador-treinador e paralelamente dirigente, é que realmente se consegue entender a multiplicidade de funções inerentes à função. Tem de se estar atento a todos os pormenores ao mesmo tempo. Agarrar esta função no 2º ano como treinador principal de uma equipa foi muito desafiante e fez-me ver que a palavra sacrifício por vezes é usada de forma muito leviana. Sem fugir à questão, o que referi relaciona-se com esta mudança e com o facto de ainda ter muitos “tiques” de treinador e opinar muitas vezes dentro e fora de água, de forma inconsciente mas sempre para tentar ajudar. Estou a tentar “melhorar” nesse aspeto.

    7- Como avalias o potencial das camadas jovens da nossa equipa?

    As camadas jovens da nossa estrutura têm sido uma agradável surpresa. São atletas que raramente falham um treino e após 6 anos de pólo aquático (grande maioria deles) temos quase o caminho formativo completo para alguns deles, “alimentando” a equipa senior dado ter sido esse o objectivo delineado desde cadetes. Temos bons exemplos disso como são os casos do guarda-redes Duarte Ferreira, do central Mauro Abreu, do lateral Rafael Abreu e do pivô Ruben Santos, que a breve trecho vão de certeza começar a ocupar o lugar que ambicionam na equipa senior. A próxima fornada de jogadores deverá seguir o mesmo percurso.

    8- Em termos de secção como nos vês daqui a 5 anos?

    O marco de 10 anos desta estrutura acredito que estará ligado a uma equipa senior a disputar o Campeonato Nacional da 1ª Divisão e uma das equipas mais fortes da zona de Lisboa. Acredito que a modalidade atingirá uma dimensão importante no clube e será um dos maiores viveiros de jogadores cadetes, infantis e juvenis dada a organização e a seriedade com que se encara o desporto, integrando todos os que escolhem estar na ADOeiras como parte do projeto.

    9- Qual o teu momento favorito enquanto treinador? E como jogador?

    Nos 22 anos ligados à modalidade não me é difícil eleger os principais momentos como jogador e igualmente como treinador. Falo em principais momentos e não favoritos porque seja vitórias ou derrotas, ambas são momentos marcantes na carreira de um agente desportivo. Assim, sem ordem de preferência, elenco os momentos que mais me marcaram:

    - Fazer parte de um clube (CNOeiras) que tinha umas condições de treino muito abaixo do aceitável mas que moldaram a minha personalidade e forma de jogar e ao mesmo tempo abriram-me as portas da Seleção Nacional Portuguesa.

    - Os 13 anos de cruz de cristo ao peito pelo Belenenses, onde fui campeão nacional de juniores com um golo do meio campo do nosso actual capitão e colega de equipa Ricardo Nuno Vieira e a meia-final da Taça de Portugal diante do CDUP que foi decidida por grandes penalidades. No prolongamento marquei um golo que poderia ser decisivo mas não foi e nos penaltys falhei a minha penalidade

    - Fazer parte de um projecto que começou do zero e que hoje tem 6 anos

    - Formar jogadores. Não foi só um momento marcante formar jovens jogadores mas igualmente formar jogadores seniores, desafio muito aliciante e que muitos não apostam nem querem saber

    - O título de vice-campeão nacional conquistado numa campeonato muito difícil com apenas uma derrota no último jogo na época 2012-2013

    - Fazer amigos de verdade que de certeza irão acompanhar-me toda a vida

    10- Todos têm um modelo de jogador/pessoa que olham para construírem o seu próprio caminho. Tiveste essa pessoa nesta modalidade?

    Nesta modalidade, o modelo e a construção do caminho está intimamente relacionado com os modelos que temos enquanto jogadores mais jovens. O modelo vem dos treinadores e colegas de equipa mais velhos que convivemos durante a prática da modalidade e aí podemos construir o nosso caminho observando o que de bom fazem e demonstram mas também os erros e maus exemplos que vemos. A partir daí cabe a cada um apropriar-se das atitudes e comportamentos com que mais se identifica.

    11- O que sentes usando uma touca de pólo aquático?

    Sinto uma das partes mais importantes da minha vida….


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